Promotor vê abuso de autoridade e manda caso dos africanos para Justiça comum

Do Sul21:

http://sul21.com.br/jornal/2012/05/promotor-ve-indicios-de-abuso-de-autoridade-e-manda-caso-dos-africanos-para-justica-civil/

“Sagesse e Tibulle sofreram a abordagem no dia 17 de janeiro | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

O caso dos dois estudantes africanos que foram retirados de um ônibus em Porto Alegre sob a mira de uma arma, algemados e detidos pela Brigada Militar no dia 17 de janeiro agora está tramitando na Justiça comum. O entendimento do promotor Luiz Eduardo, que estava com o processo na Justiça Militar, foi o de que há indícios de abuso de autoridade na conduta dos policiais.

Na semana passada, o juiz militar Alexandre Abreu acompanhou o parecer da promotoria e remeteu o caso à Justiça comum – já que não há tipificação do crime de abuso de autoridade no Código Penal Militar. Agora, caberá a um novo promotor se manifestar sobre o caso.

Leia mais:
- Brigada Militar absolve policial acusada de racismo contra africanos.
- Africanos ainda tentam entender racismo da polícia em Porto Alegre.

Se a promotoria da Justiça comum seguir no entendimento de que houve abuso de autoridade, os policiais envolvidos na ação poderão ser condenados a pagarem multa, a até seis meses de prisão ou, em último caso, à perda dos cargos e à proibição de ocuparem qualquer cargo público durante três anos. “Entendi, pelo fato retratado, que há indícios de ocorrência do crime de abuso de autoridade, pela forma como a abordagem foi feita”, explica o promotor da Justiça Militar, Luiz Eduardo.

O caso foi analisado tendo como base o Inquérito Polícial-Militar (IPM) conduzido pelo 9º Batalhão da Brigada Militar, que concluiu pela inocência dos agentes envolvidos na abordagem. A investigação interna apenas recriminou dois policiais por falso testemunho. Eles teriam mentido durante as diligências do IPM.

Vítimas acusam Brigada Militar de racismo

Os estudantes Sagesse Ilunga Kalala, da República Democrática do Congo, e Tibulle Aymar Sedjro, do Benin, acusam a Brigada Militar de ter cometido crime de racismo no dia 17 de janeiro, quando uma policial sacou uma arma e retirou os dois de um ônibus em Porto Alegre. Na ocasião, a sargento ainda havia pedido reforços, e os estudantes foram recepcionados do lado de fora do coletivo por viaturas e motos.

Tibulle acusa brigadianos de terem lhe aplicado uma gravata | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Os africanos foram abordados em público, algemados e encaminhados ao posto da BM na Redenção. Lá, foram identificados como estrangeiros e liberados sem maiores explicações. Sagesse e Tibulle alegam que tentaram repetidas vezes explicar aos policiais que eram intercambistas.

Relatos do motorista e do cobrador do ônibus em questão, da linha Campus/Ipiranga, apontam que a sargento teria batido no peito e perguntado se os abordados estavam gostando da situação. Além disso, Tibulle conta que sofreu um golpe de gravata para ser forçado a entrar na viatura e ser conduzido ao posto policial. Atualmente, os dois intercambistas estão morando em Rio Grande, onde estudam na Furg.

A Brigada Militar sustenta que não houve postura racista no caso e assegura que a abordagem só ocorreu porque os dois não paravam de olhar em direção à policial e rir. A BM também garante que um dos meninos estava com uma mão embaixo da camiseta, aparentando segurar algo suspeito. Posteriormente, verificaram que tratava-se de um celular.”

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Wole Soyinka virá a Brasília, em abril

Do Blog da Cidinha: http://cidinhadasilva.blogspot.com/2012/03/wole-soyinka-vira-brasilia-em-abril.html

(Deu em O Globo). A arte e a política de Wole Soyinka “Numa das noites experimentais do Royal Court Theatre, espaço alternativo que começava a ganhar fama na Londres do fim dos anos 1950, Wole Soyinka, então um jovem aspirante a escritor recém-chegado da Nigéria, foi escalado para o papel de guarda de campo de detenção. A peça era inspirada no massacre de Hola, cometido no Quênia em 1959, quando agentes coloniais britânicos espancaram até a morte um grupo de prisioneiros nacionalistas. Minutos antes de entrar em cena, porém, Soyinka desistiu de atuar. O pequeno conflito que se seguiu a essa decisão, com os atores puxando o colega rebelde para o palco diante da plateia estupefata, diz mais que mil ensaios sobre os dilemas de representar a violência por meio da arte. Muito tempo depois, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1986, Soyinka relembrou a cena em seu discurso, justificando aquela recusa com uma série de perguntas: “Quando a representação é rejeitada pela realidade? Quando a ficção se torna presunçosa?”. Essas questões são centrais para um escritor e dramaturgo que sempre esteve profundamente envolvido com a política nigeriana, da luta pela independência contra as forças britânicas e a subsequente guerra civil, nos anos 1960, até hoje. Em 2010, ajudou a fundar um partido, a Frente Democrática por uma Federação do Povo, para enfrentar a coalizão conservadora que governa a Nigéria há mais de uma década. Autor será publicado no país pela primeira vez Às vésperas de vir ao país para a primeira edição da Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que acontece em Brasília entre 14 e 23 de abril, Soyinka se define, em entrevista ao GLOBO, como “um artista que não consegue se isolar das atualidades”. — Às vezes a realidade reprova a atitude do artista de se apropriar dos mistérios e tragédias de outros. É uma relação de quase “distanciamento”, mas um distanciamento paradoxal, já que o artista escreve de dentro do meio social e nunca está totalmente distante. No entanto, alguns escritores, por temperamento, são mais afetados, às vezes até sobrepujados, pela realidade. Como escrever sobre o Camboja de Pol Pot? Ruanda? Darfur? Como um escritor sírio pode manter a fé na criatividade durante o massacre em andamento lançado por Bashar Al-Assad [presidente da Síria] contra seu próprio povo? Como não entender se esse escritor jogar seu laptop no inferno que um dia foi a casa de um vizinho e pegar a Kalashnikov mais próxima? — provoca o escritor. Aos 77 anos, Soyinka se equilibra há décadas nesse “distanciamento paradoxal” entre arte e política. Essa tensão também está representada em sua vasta e diversificada obra, que passa por teatro, poesia, romance e ensaio, e só agora começará a ser publicada no Brasil. Durante a Bienal de Brasília, a Geração Editorial lançará uma tradução de “The lion and the jewel” (“O leão e a joia”), uma de suas primeiras peças, escrita no fim dos anos 1950, durante sua estada na Inglaterra, e publicada pela primeira vez em 1963. Com um humor satírico e uma mescla inovadora de traços estéticos ocidentais e africanos, “O leão e a joia” é, ao mesmo tempo, uma exceção e um caso representativo na obra de Wole Soyinka (ver artigo abaixo). Situada numa aldeia nigeriana, a peça é protagonizada por um jovem professor educado nos moldes europeus e um velho líder local, que disputam o amor da mulher mais bonita da região. A estrutura aparentemente simples, explica Soyinka, serve tanto para falar em chave de comédia sobre “a antiga batalha dos sexos” como para investigar “o que constitui a modernidade e a tradição”. Parte importante dessa investigação é conduzida através de uma apropriação criativa da cultura iorubá, que compreende a maior parte da população da Nigéria. As peças de Soyinka, tanto tragédias quanto comédias, são repletas de referências a rituais, danças e orixás (seu preferido é Ogum, que representa “a dualidade do homem em seus aspectos criativo e destrutivo”, diz). Mas o resgate desses elementos tradicionais não é uma forma de idealizar a cultura africana em oposição à ocidental, ressalta. — Cresci na cultura iorubá e a evoco constantemente como uma crítica de outras culturas e sociedades, mas não como uma alternativa perfeita e impecável. Contudo, ela é uma opção. E isso é cada vez mais importante num mundo percebido e apresentado em termos de oposições binárias entre cristianismo e islamismo. A cultura iorubá considera essa divisão ressentida e arrogante, especialmente se levamos em consideração sua história sanguinária de preconceito, intolerância e expansionismo assassino — diz o escritor, nascido em Abeokuta, no oeste da Nigéria. A grande presença da cultura iorubá no Brasil fez com que Soyinka tivesse, desde cedo, uma relação próxima com o país. Em um ensaio sobre Lagos, ele nota como a megalópole nigeriana deve muito de sua identidade aos escravos retornados do outro lado do Atlântico: da arquitetura à culinária, da música aos sobrenomes como Pacheco e Silva. Em suas pesquisas sobre as formas dramáticas tradicionais da África, o escritor se deparou com a sobrevivência de muitos desses rituais no Caribe e no Brasil. Soyinka considera fundamental para sua carreira o contato com pesquisadores brasileiros na Nigéria, entre eles o crítico literário Antonio Olinto, adido cultural em Lagos nos anos 1960, e sua mulher, Zora Seljan, que publicaram diversas obras de ficção e ensaios em torno de temas africanos. Soyinka conheceu Olinto (que morreu em 2009) e Zora (que morreu em 2006) depois de voltar da Inglaterra, onde passou boa parte da década de 1950, primeiro na Universidade de Leeds e depois em Londres. Na capital britânica, além de “O leão e a joia”, escreveu outra peça, “The swamp dwellers” (“Os habitantes do pântano”, em tradução livre). Retornou ao país natal no início dos anos 1960, para dar aulas e pesquisar teatro africano nas Universidades de Lagos, Ibadan e Ife. Nas décadas seguintes, embora tenha experimentado vários gêneros literários, dedicou-se sobretudo ao teatro e pensou em si mesmo sempre como um dramaturgo. — O teatro oferece a própria vitalidade humana como meio de transmissão. Isso é algo incomparável — justifica Soyinka, que ficou conhecido em seu país por peças como “A dance of the forests” (“Uma dança das florestas”), apresentada nas celebrações da independência nigeriana, em 1960, e alertava para o risco de uma repetição dos erros do período colonial. Ao mesmo tempo em que consolidava seu prestígio artístico, Soyinka se afirmava como um dos principais intelectuais públicos da Nigéria. Teve uma atuação destacada contra a guerra civil deflagrada pouco depois da independência e, por isso, foi preso em 1967. Passou 22 meses na cadeia, a maior parte deles na solitária. Mesmo detido, continuou a ter suas peças encenadas na Nigéria e no exterior — ainda em 1967, “O leão e a joia” ganhou uma montagem em Accra, capital de Gana. Depois de ser libertado, continuou a escrever e a militar, o que o obrigou a enfrentar alguns períodos de exílio. — Apesar dessas ausências instigadas pela política, nunca realmente deixei a Nigéria, porque minha perspectiva do país sempre foi interna — pondera. Escritor é ameaçado de morte por extremistas Hoje, a Nigéria continua no centro de suas preocupações. Além dos protestos contra a corrupção e o autoritarismo, suas bandeiras de toda a vida, Soyinka tem alertado os compatriotas para o risco iminente de uma nova guerra civil, dessa vez provocada pela ascensão do fanatismo religioso. No mês passado, ele denunciou à imprensa nacional que está ameaçado de morte pelo grupo extremista islâmico Boko Haram, que domina parte da região norte e, por meio de uma série de atentados nos últimos anos, exige a implantação no país da sharia (código religioso muçulmano). — Vivemos o risco de uma guerra civil, e uma muito grave. A corrupção é curável. Não totalmente, porque nenhuma nação jamais conseguiu isso, mas pode ao menos ser controlada por meio de punições rigorosas e de uma sociedade civil alerta e resoluta. Mas a manipulação religiosa é a faísca fatal — alerta. Intitulado “Este passado precisa abordar seu presente”, o discurso de Soyinka na cerimônia do Nobel, que começava com a lembrança do jovem ator-escritor indeciso sobre como lidar com a violência por meio da arte, terminava com uma denúncia vigorosa das consequências do projeto colonialista europeu na África, mesmo após as independências. Mais de duas décadas depois daquele dia, o escritor acredita que ainda há muito que combater: — O racismo continua entre nós, e não é só uma questão da cultura e da filosofia ocidentais. Estereótipos e preconceitos só mudam de local e de contexto, não desaparecem. A ascendência de noções religiosas anacrônicas, com sua bagagem de intolerância, faz com que o presente esteja cada vez mais à beira do abismo. A Nigéria é o nosso exemplo atual mais sério.”

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Programa Kilimanjaro #9, 2 fevereiro 2012


Setlist:

01. Bassekou Kouyate & Ngoni Ba, “Musow (For Our Women)”, Mali
02. Elizah + Guinha, “Sons da Infância”, Brasil
03. Gilberto Gil, “La Renaissance Africaine”, Brasil
04. Cheikh Lô, “Kelle Magni (encore)”, Senegal
05. Tamikrest, “Ahar”, Mali
06. Maquinado, “Are You Experienced”, Brasil
07. Toumast, “You Got Me Floatin’ (Jimi Hendrix)”, Mali
08. Max Roach, “Freedom Day”, EEUU
09. Cécile Kayirebwa, “Kana”, Rwanda
10. Kampi Moto + George Phiri, “Kidenza”, África do Sul
11. Dawda Jobarteh, “Duwa”, Gâmbia
12. Angélique Kidjo, “Iemanja”, Benin

cortina:
Miles Davis, “Great Expectations”, EEUU

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Programa Kilimanjaro #8, 5 janeiro 2012


Setlist:

01. “Allah Wakbarr”, Ofo The Black Company, Nigéria
02. “Confusion”, Chocolate Milk, New Orleans, Louisiana, Estados Unidos
03. “Anunciação”, Orkestra Rumpilezz, Bahia
04. “Lamento do Capoeira”, Wando, Rio de Janeiro
05. “Eyi Su Ngaangaa”, Sweet Talks, Gana
06. “Ene Negn Bay Manesh”, Girma Bèyènè, Etiópia
07. “Famfa”, Sam Fan Thomas, Camarões
08. “In Circles”, Ikebe Shakedown, Brooklyn, Nova York, Estados Unidos
09. “Greetings”, Joni Haastrup, Nigéria
10. “Bamba Mo Woor”, Cheikh Lô, Senegal
11. “Matanza”, Orgone, Califórnia, Estados Unidos
12. “Laisser-les-dire”, Mélome Clément + Tout Puissant Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, Benin

cortina:
“Agboju Logun”, Shina Williams & His African Percusionists

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Sempre na primeira quinta-feira do mês. Próximo programa: 2 de fevereiro, dia de Iemanjá.

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Programa Kilimanjaro #7, 1 dezembro 2011


Setlist:
01. Zani Diabaté & the Super Djata Band, “Super Djata”, Mali
02. Femi Kuti, “Can’t Buy Me”, Nigéria
03. Asa, “So Beautiful”, Nigéria
04. Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, “Nouèssénamé”, Benin
05. Bidinte, “Nha cumbossa”, Guiné Bissau
06. Nneka, “Africans”, Nigéria
07. Ali Hassan Kuban, “Al Ghazal”, Egito
08. Fatoumata Diawara, “Boloko”, Mali
09. Alem Kebede, “Ateremamesew (He Created Turmoil)”, Etiópia
10. Mulatu Astatke, “Green Africa”, Etiópia
11. Bombino, “Assalam Felawan (Peace To You)”, Niger
12. Kora Jazz Trio, “Djame”, Guiné Konakry + Senegal
13. Ebo Taylor & The Pelicans, “Come Along”, Nigéria
14. Nação Zumbi, “Nebulosa”, Brasil

Cortina: John Coltrane, “Prestige”, 1957

Sempre na primeira quinta-feira do mês. Próximo programa: 5 de janeiro.

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Programa Kilimanjaro #6, 3 novembro 2011


Setlist:
01. Tinariwen + The Dirty Dozen Brass Band – Ya Messinagh
02. Cheb Khaled – El Barah
03. Cesária Évora – Verde Cabo di Nhas Odjos
04. Tcheka – Sisterna
05. Tartit – Assinaina
06. Bonga – Muimbo Ua Sabalu
07. Terakaft – manihadjan
08. Lura – Vazulina
09. Bidinte – Caminho di n’tchanha
10. Miriam Makeba – Lumumba
11. Virgínia Rodrigues – Afrekêtê
12. Ooleya Mint Amartichitt – Wezene

Sempre na primeira quinta-feira do mês. Próximo programa: 1 de dezembro.

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Sobre o tempo

O europeu e o africano têm uma noção totalmente diferente do tempo; eles o vêem de forma diferente, tratam-no de modo diverso. Na concepção européia, o tempo independe do homem. Ele existe de fato, fora de nós, e tem características mensuráveis e lineares. De acordo com Newton, o tempo é absoluto: ‘absoluto, verdadeiro, o tempo matemático segue seu curso por si próprio e graças à sua natureza, constante e independentemente de qualquer fator externo’. Um europeu sente-se escravo do tempo, depende dele, está sob o seu domínio. Para existir e funcionar, tem de seguir suas leis férreas e imutáveis, suas regras claramente definidas, seus princípios rígidos. Deve cumprir prazos, datas, dias e horas. Move-se segundo o regime do tempo, não pode existir sem ele. O tempo o oprime com seu rigor, suas demandas e suas normas. O eterno conflito entre o tempo e o homem europeu sempre termina com a derrota deste – o tempo aniquila o homem.

Os habitantes da África têm uma noção totalmente diferente do tempo. Para eles, o tempo é algo mais solto, aberto, elástico, subjetivo. É o homem que influencia a formação do tempo, seu desenrolar e seu ritmo (obviamente, aquele que agir de acordo com os preceitos dos antepassados e deuses). O tempo chega a ser algo que o homem pode criar, pois a existência dele se revela por acontecimentos, e o fato de algo acontecer ou não depende do homem. Se dois exércitos inimigos não começarem a lutar, não haverá batalha (o que significa que o tempo não mostrará sua face, que ele não teria sido criado).

O tempo surge em função de nossas atividades e desaparece quando renunciamos a ele, ou mesmo quando nem o requeremos. É matéria que, dependendo de nossa vontade, sempre pode se tornar viva, mas que entrará num estado de hibernação, e até mesmo de não-existência, se não lhe fornecermos energia. O tempo é um ente inerte, passivo e, sobretudo, dependente do homem.

Uma concepção diametralmente oposta à do homem europeu.

Kapuscinski, Ryszard. Ébano: minha vida na África. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. pp. 22-23.

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Programa Kilimanjaro #5, 6 outubro 2011

Setlist:
1. Staff Benda Bilili, Avramandole
2. Manu Dibango, Lily
3. Nneka, Focus
4. Erykah Badu, The Healer
5. Ali Farka Touré, Hanana
6. Tchadé, Rythmo de mi Coraco
7. Apagya Show Band, Mumunde
8. Alpha Blondy, sebe allah y’e
9. Femi Kuti, Dem Bobo
10. Jongo da Serrinha, Bendito + Pisei na pedra + Boi preto + Eu chorei
11. Kora Jazz Trio, Matamani
12. Orchestra Marrabenta Star de Moçambique featuring Mingas, Elisa Gomara Saia
13. Hugh Masekela, Mahlalela

Sempre na primeira quinta-feira do mês. Próximo programa: 3 de novembro.

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